terça-feira, 20 de junho de 2017

João das Alagoas


João Carlos da Silva, o João das Alagoas, nasceu no município alagoano de Capela, zona da mata alagoana. É um mestre da cerâmica responsável por recriar o boi do bumba-meu-boi, peça tão comum na arte figurativa popular brasileira. Com as mãos, João faz surgir do barro grandes bois com seus mantos esculpidos em baixo e alto relevo, representando histórias do folclore nordestino, das brincadeiras de rua, dos casamentos, dos batizados, enfim, as histórias do povo e suas tradições.

João é autodidata, sempre fez tudo sozinho. Desde pequeno, já se destacava na escola através de seus desenhos. Usava o barro como brincadeira para fazer boizinhos. Ele conta que aprendeu com a experiência e a observação, e que a sua inspiração vem de outros grandes artistas brasileiros, como o mestre Vitalino, sua principal referência.

Sua notoriedade começou em 1987, quando fez uma exposição de quadros na cidade de Campinas, São Paulo. Foi nesta exposiçao que passou a adotar o nome "Joao das Alagoas". Antes ele assinava suas obras com o nome de "Joao Maravilha", um apelido ganho nos jogos de futebol com os amigos. Mas aconselhando pelo curador desta exposiçao em Campinas, que achava que o "maravilha" nao combinava muito com ele, deu a ideia do nome "Joao das Alagoas", nome que ele carrega e com o qual passou a ser conhecido em todo país. Graças a Deus esse nome pegou, porque esse nome Joao das Alagoas me ajudou muito... Eu acho que se fosse outro nome nao teria me ajudado tanto nao, conta o artista.



Há mais de dez anos, João das Alagoas vive de sua arte. Tem um currículo imponente: ganhou vários prêmios de melhor artesão em alguns Estados; uma menção honrosa, em Córdoba, Argentina e muitas de suas obras integram importantes coleções de arte popular que estão expostas em galerias do Recife, de São Paulo, de Belo Horizonte, de Porto Alegre e do Rio de Janeiro. João tem peças expostas também no exterior, como o Museu de Cerâmica do México.

O artista mantém em sua cidade natal, Capela-AL, um ateliê, onde, além de produzir suas peças, dá aulas voluntariamente para interessados em aprender a arte da cerâmica. Dentre os seus discípulos, destacam-se os artesãos Leonilsson, Nena, João Carlos, Gisé, Marcelo, Sil, Cláudio e Van.

No dia 04 de agosto de 2011 o Mestre João das Alagoas foi declarado como Patrimônio Vivo Cultural de Alagoas.

Contato com Joao das Alagoas:
Rua Pio de Barros, 114.
57780-000, Capela-AL
Tel: (82) 3287-1430

Fonte: Arte Popular

Mestre Vitalino

Mestre Vitalino, Caruaru, Pernambuco, 1947. Foto: PIERRE VERGER

Mestre Vitalino (1909-1963) foi um artista popular brasileiro, considerado um dos maiores artistas da história da arte do barro no Brasil.

Vitalino Pereira dos Santos (1909-1963), conhecido como Mestre Vitalino, nasceu na cidade de Caruaru, Pernambuco, no dia 10 de julho de 1909. Filho de um lavrador e de uma artesã que fazia panelas de barro para vender na feira, desde seis anos de idade já fazia transparecer seu talento moldando pequenos animais com as sobras do barro.

O barro tirado do Rio Ipojuca, em cujas margens, Vitalino brincava na infância, foi desde cedo a matéria-prima que sem imaginar, mais tarde daria forma a sua arte e o tornaria famoso, produzindo uma arte simples que encantou o mundo, e que os especialistas decidiram batizar como arte figurativa.

O caminho para sair do anonimato foi longo. Do “Alto do Moura”, onde o artista viveu e contava com a ajuda dos filhos, produzia as peças para vender na feira de Caruaru. Só a partir de 1947 a vida começou a melhorar, com o convite do artista plástico Augusto Rodrigues para uma exposição no Rio de Janeiro, passando a apresentar suas peças na Exposição de Cerâmica Popular Pernambucana.

Em janeiro de 1949, a fama do Mestre Vitalino foi se ampliando com uma exposição no MASP, e em 1955 fez parte de uma exposição de “Arte Primitiva e Moderna”, em Neuchâtel, na Suíça. Suas obras passaram a ser valorizadas no Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Sua arte está exposta não só em grandes museus brasileiros, mas também no Museu de Arte Popular de Viena, na Áustria e no Museu do Louvre, em Paris. No Brasil, grande parte de seu trabalho está nos museus Casa do Pontal e na Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, no Acervo Museológico da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife, e no Alto do Moura, em Caruaru, onde o artista viveu.

Mestre Vitalino deu vida a sua arte de barro, como “os bois”, “as vacas”, “os cangaceiros”, “a ciranda”, “a banda de pífanos”, “o violeiro”, “o zabumba”, “o cavalo-marinho”, “a casa de farinha”, “os noivos a cavalo”, “Lampião”, “Maria Bonita”, “a vaquejada”, entre outros. Sua produção artística passou a ser iconográfica, influenciando a formação de novas gerações de artistas, principalmente no Alto do Moura. A casa onde o artista viveu foi transformada em “Museu Vitalino”, e seu entorno é ocupado por oficinas de artesãos.

Mestre Vitalino faleceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 20 de janeiro de 1963.

Fonte: e-biografia


Os bonecos de barro - Clarice Lispector*

O que ela amava acima de tudo era fazer bonecos de barro — o que ninguém lhe ensinara. —Trabalhava numa pequena calçada de cimento em sombra, junto à última janela do porão. Quando queria com muita força ia pela estrada até ao rio. Numa de suas margens, escalável embora escorregadia, achava-se o melhor barro que alguém poderia desejar: branco, maleável, pastoso: frio. Só em pegá-lo, em sentir sua frescura delicada, alegrezinha e cega, aqueles pedaços timidamente vivos, o coração da pessoa se enternecia úmido quase ridículo. Virgínia cavava com os dedos aquela terra pálida e lavada — na lata presa à cintura iam se reunindo os trechos amorfos. O rio em pequenos gestos molhava-lhe os pés descalços e ela mexia os dedos úmidos com excitação e clareza. As mãos livres, ela então cuidadosamente galgava a margem até a extensão plana . No pequeno pátio de cimento depunha a sua riqueza. Misturava o barro à água, as pálpebras frementes de atenção — concentrada, o corpo à escuta, ela podia obter uma porção exata de barro e de água numa sabedoria que nascia naquele mesmo instante, fresca e progressivamente criada. Conseguia uma matéria clara. e tenra de onde se poderia modelar um mundo.

Como, como explicar o milagre... Ela se amedrontava pensativa. Nada dizia, não se movia, mas interiormente sem nenhuma palavra repetia: Eu não sou nada, não tenho orgulho, tudo me pode acontecer; se quiser, me impedirá de fazer a massa de barro; se quiser, pode me pisar, me estragar tudo; eu sei que não sou nada. Era menos que uma visão, era uma sensação no corpo, um pensamento assustado sobre o que lhe permita conseguir tanto barro e água e diante de quem ela devia humilhar-se com seriedade . Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia em alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados. Mas o que não se vê de olhos fechados tem uma existência e uma força, como o escuro, como a ausência — compreendia-se ela, assentindo feroz e muda com a cabeça. Mas nada sabia de si, passaria inocente e distraída pela sua realidade sem reconhecê-la; como uma criança, como uma pessoa.

Depois de obtida a matéria, numa queda de cansaço ela poderia perder a vontade de fazer bonecos. Então ia vivendo para a frente como uma menina.

Um dia, porém, sentia seu corpo aberto e fino, e no fundo uma serenidade que não se podia conter, ora se desconhecendo, ora respirando trêmula de alegria, as coisas incompletas. Ela mesma insone como luz — esgazeada, fugaz, vazia, mas no íntimo um ardor que era vontade de guiar-se a uma só coisa, um interesse que fazia o coração acelerar-se sem ritmo... de súbito, como era vago viver. Tudo isso também poderia passar, a noite caindo repentinamente, a escuridão fresca sobre o dia morno.

Mas às vezes ela se lembrava do barro molhado, corria alegre e assustada para o pátio: mergulhava os dedos naquela mistura fria, muda e constante como uma espera; amassava, amassava, aos poucas ia extraindo formas. Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando... Muito mais, muito mais. Pequenas formas que nada significavam, mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores, m:to eram nada...Ás vezes um pequeno objeto de forma quase estrelada, mas sério e cansado como uma pessoa. Um trabalho que jamais acabaria, isso era o que de mais bonito e atento ela já soubera. Pois se ela podia fazer o que existia e o que não existia!...

Depois de prontos, os bonecos eram colocados ao sol. Ninguém lhe ensinara, mas ela os depositava nas manchas de sol no chão, manchas sem vento nem ardor. O barro secava mansamente, conservava o tom claro, não enrugava, não rachava. mesmo quando seco parecia delicado, evanescente e úmido. E ela própria podia confundi-lo com o barro pastoso. As figurinhas assim, pareciam rápidas, quase como se fossem se desmanchar — e isso era como se elas fossem se movimentar. Olhava para o boneco imóvel e mudo. Por amor ou apenas prosseguindo o trabalho ela fechava os olhos e se concentrava numa força viva e luminosa, da qualidade do perigo e da esperança, numa força de sede que lhe percorria o corpo celeremente com um impulso que se destinava à figura. Quando, enfim, se abandonava, seu fresco e cansado bem-estar vinha de que ela podia enviar, embora não soubesse o que, talvez. Sim ela às vezes possuía um gosto dentro do corpo, um gosto alto e angustiante que tremia entre a força e o cansaço — era um pensamento como sons ouvidos, uma flor no coração: Antes que ele se dissolvesse, maciamente rápido, no seu ar interior, para sempre fugitivo, ela tocava com os dedos num objeto, entregando-o. E, quando queria dizer algo que vinha fino, obscuro e liso — e isso poderia ser perigoso — ela encostava um dedo apenas, um dedo pálido, polido e transparente, um dedo trêmulo de direção. No mais agudo e doído do seu sentimento ela pensava: Sou feliz. Na verdade, ela o era nesse instante, e se em vez de pensar: Sou feliz, procurava o futuro, era porque, obscuramente, escolhia um movimento para a frente que servisse de forma à sua sensação.

Assim juntara uma procissão de coisas miúdas. Quedavam-se quase despercebidas no seu quarto. Eram bonecos magrinhos e altos como ela mesma. Minuciosos, ligeiramente desproporcionados, alegres, um pouco perplexos — às vezes, subitamente, pareciam um homem coxo rindo. Mesmo suas figurinhas mais suaves tinham uma imobilidade atenta como a de um santo. E pareciam inclinar-se, para quem as olhava, também como os santos. Virgínia podia fitá-las uma manhã inteira, que seu amor e sua surpresa não diminuiriam.

— Bonito... bonito como uma coisinha molhada, dizia ela excedendo-se num ímpeto imperceptível e doce.

Ela observava: mesmo bem acabados, eles eram toscos como se pudessem ainda ser trabalhados. Mas vagamente, ela pensava que nem ela nem ninguém poderia tentar aperfeiçoá-los sem destruir sua linha de nascimento . Era como se eles só pudessem se aperfeiçoar por si mesmos, se isso fosse possível.

As dificuldades surgiam como uma vida que vai crescendo. Seus bonecos, pelo efeito do barro claro, eram pálidos. Se ela queria sombreá-los não o conseguia com o auxílio da cor, e por força dessa deficiência aprendeu a lhes dar sombra ainda por meio de forma. Depois inventou uma liberdade: com uma folhinha seca sob um fino traço de barro conseguia um vago colorido, triste assustada quase inteiramente morto. Misturando barro à terra, obtinha ainda outro material menos plástico, porém mais severo e solene. MAS COMO FAZER O CÉU? Nem começar podia! Não queria nuvens — o que poderia obter, pelo menos grosseiramente — mas o céu, o céu mesmo, com sua existência, cor solta, ausência de cor. Ela descobriu que precisava usar uma matéria mais leve que não pudesse sequer ser apalpada, sentida, talvez apenas vista, quem sabe! Compreendeu que isso ela conseguiria com tintas.

E às vezes numa queda, como se tudo se purificasse, ela se contentava em fazer uma superfície lisa, serena, unida, numa simplicidade fina e tranquila.


*Revista "Nordeste" (Ano XIII, nº 2, julho de 1960, Recife-PE)

sábado, 3 de junho de 2017

II ARRAIÁ BAQUE DOS BUGRES

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O Maracatu Baque dos Bugres produz em Caxias do Sul, pelo segundo ano consecutivo, seu Arraiá. Inspirado no tradicional festejo junino do Nordeste, este que é uma das expressões mais marcantes do nosso Brasil Profundo, a Serra Gaúcha terá a festa, o brilho e a alegria de uma noite de São João mais uma vez.
Nesta edição homenagearemos os escultores que fazem do barro a representação da vida, dos costumes, das funções laborais e artísticas da gente nordestina que espalhou pelo país seu sotaque carregado, sua força de vontade e sua forma de festejar.
Venha festejar conosco essa noite linda de viver!

FICHA TÉCNICA

QUADRILHA DE LÁ PRA CÁ
Coordenação e Coreografia: Vanessa Carraro e Tonico de Ogum.

LICURI SAMBA DE COCO
Bruno Ortiz, Samir Tuffy, Marielle Costa, Cris Schimitz, Eduardo Cordeiro e João Viegas.

MARACATU BAQUE DOS BUGRES
João Viegas: Regência
Alexandre Scopel: gonguê
Monique Rocco: agbe e mineiro
Renata Pontalti: agbe e mineiro
Maysa Stedile: agbe e mineiro
Tina Andrigheti: mineiro
Ernani Viana Neto: mineiro
Pepe Pessoa: mineiro
Cris Schmitz: atabaque e mineiro
Cris Betta: caixa
Bruno Ortiz: caixa
Marcelinho Silva: caixa e atabaque
Dinarte Paz: caixa
Tonico de Ogum: atabaque e caixa
Samir Tuffy: alfaia
Marcus Comandulli: alfaia
Haike Beck: alfaia
Jeison Ariotti: alfaia
Angela Pimentel: alfaia
Marielle Costa: alfaia

CATIRINAS
Coordenação: Vanessa Carraro Armiliato
Pâmela Cervelin Grassi
Paula Cervelin Grassi
Danusa Brandão
Francieli Malezan
Roberto Ribeiro
Daiana Severo Fetter
Jéssica Maisner

DJ’s
Jhonny Boaventura e Moises Oliveira

II Arraiá do Baque dos Bugres
ONDE: UAB Cultural - R. Luís Antunes, 80 - Panazzolo
QUANDO: 24 de Junho, Sábado
HORÁRIO: A partir das 19h
INGRESSOS: R$ 10,00
OUTRAS INFORMAÇÕES: (54) 99116 9142 - WhatsApp

Direção de Arte: Samir Tuffy
Release: Ernani Viana Neto
Produção: Pepe Pessoa

Adequado para Crianças

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Baque dos Bugres Ocupa Imigrante 2017

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Durante dez dias - 10 a 19/02 - o Monumento ao Imigrante receberá dez grupos locais de música autoral, representando a diversidade da musicalidade das Montanhas do Sul. O projeto pretende unir a apropriação do espaço público com a valorização da produção musical em Caxias do Sul e a democratização do acesso à cultura.
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BAQUE DOS BUGRES

O Baque dos Bugres é um grupo de Maracatu de Baque Virado nascido em Caxias do Sul, em março de 2015. É coordenado pelo baterista e percussionista João Viegas e tem em sua formação pessoas de diversas áreas, interessadas em tocar, pesquisar e difundir a cultura do Maracatu.

O grupo vem se apresentando em Caxias e região desde 2015, tocando em Escolas, eventos, Festivais, e promovendo festas como o Carnaval Maracaxias (em parceria com o grupo Zingado e os músicos Dan Ferreti e Gustavo Viegas), o Arraiá do Baque dos Bugres e a festa Quarta com Dendê. O Baque dos Bugres realizou oficinas com mestres e batuqueiros de algumas das principais Nações de Maracatu de Pernambuco. O grupo hoje tem 30 integrantes e é formado por uma orquestra de percussão e um grupo de dança.
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BAQUE DOS BUGRES no OCUPA IMIGRANTE
>> Domingo, 19 de fevereiro de 2017
>> 19h no Monumento ao Imigrante
>> Em caso de chuva: 20h no Teatro do Sesc
>> Entrada Franca
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OCUPA IMIGRANTE
Financiamento: Financiarte

Realização: Varsóvia Educação e Cultura, Sesc Caxias do Sul e Fecomércio-RS

MARACAXIAS 2017 - II Edição






segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Matéria do Jornal de Caxias



O maracatu é uma tradição pernambucana espalhada em vários pontos do Brasil e do mundo. Saiba mais sobre essa manifestação popular, com traços de religião que chega a Caxias do Sul.